Quem dera ser um peixe...

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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: DIVERGÊNCIAS CONCEITUAIS

No final dos anos de 1970, o livro A Psicogênese da Lingua Escrita de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky revolucionava o conhecimento sobre alfabetização que se tinha na época. Segundo as autoras a aquisição das habilidades de ler e escrever depende basicamente da relação que a criança tem desde pequena com a cultura escrita.
O letramento, termo mais recente, surgiu pela primeira vez com Mary Kato em 1986 com a publicação No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.
Logo o termo Alfabetização indica que a criança domina os códigos da escrita e da leitura e Letramento,po sua vez, de acordo com Magda Soares “é não só saber ler e escrever, mas também fazer uso competente e freqüente da leitura e da escrita” (2006, p.36), ou seja, fazer uso da escrita e da leitura em suas práticas sociais para atingir diferentes objetivos.
Segundo Emilia Ferreiro a coexistência entre os dois termos (alfabetização e letramento) não seria possível já que “o processo de alfabetização pode ser desencadeado com o acesso à cultura escrita.” Para a autora isso seria um retrocesso. A esse respeito ela assinala:"Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica." (2003, p.30)
Creio que o termo alfabetização por si só, já engloba um entendimento de domínio da escrita e leitura não sendo necessária a utilização do segundo termo, letramento, para designar a apropriação desses recursos na prática social e cultural. Em minha opinião não se deveria dissociar a alfabetização do letramento, pois a alfabetização de crianças deveria ser tão rica e estimulante que envolveria também o letramento desses indivíduos. Mas como destaca Magda Soares sempre aparecem novas palavras quando novos fenômenos acontecem, como ocorre com o termo “nativos digitais”, termo surgido em 2001 com o educador americano Marc Prensky para designar a geração que cresce imersa na tecnologia. É comum observamos crianças que ainda não são alfabetizadas, ou seja, não tem um domínio sobre a escrita e a leitura, porém têm uma intimidade muito grande com o computador interessando-se por uma infinidade de jogos virtuais como os de associação ou de memória. Além disso, essas crianças fazem parte de sites de relacionamento e criam e-mail e blogs navegando com muita propriedade no mundo virtual. A esse respeito Emilia Ferreiro afirma, que com o aparecimento da internet criou-se um espaço tão inter-textual e variado mais até mesmo que uma biblioteca.O que falta então seria a democratização do uso do computador levando esta ferramenta às camadas mais carentes da população.
As crianças, mesmo as bem pequenas, podem e devem ter um ambiente estimulador na família e caso isso não ocorra, como nas famílias de classes mais pobres, a escola deve fazer esse papel, fornecendo a criança um ambiente rico, com textos de variados gêneros. Ainda Ferreiro destaca que mesmo as crianças analfabetas devem ter contato com diversos tipos de textos. O professor deve estimular a leitura lendo em voz alta para seus alunos e como destaca Ana Teberosky “se nos 200 dias letivos o professor das primeiras séries trabalhar um livro por semana, a classe terá tido contato com 35 ou 40 obras ao final do ano.”(2005,p.26).










segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Olá, meu blog foi criado hoje 10/09/2007. Sejam bem-vindos!