A violência é um fenômeno atual que tem se apresentado frequentemente no ambiente educacional se materializando em diversas formas desde a agressões verbais até graves agressões físicas praticadas por alunos contra colegas e professores. Além disso, temos na escola, um tipo de violência mais sutil: a violência simbólica que leva ao fracasso escolar por meio de um ensino e de um currículo pouco interessante e desestimulante sem significado para a vida dos alunos. Os professores também podem sofrer essa violência simbólica quando se deparam com alunos desinteressados e indiferentes a sua ação pedagógica.
A escola é um espaço de conflito, em que há interesses contraditórios e não um campo neutro e homogêneo em que todos pensam da mesma forma. Concepções, crenças, valores, convicções trazidas da vivência familiar, da vivência com outros grupos sociais, do entorno, ou seja, a subjetividade, o capital cultural de cada um interfere no funcionamento da escola. Dessa forma presenciamos fenômenos na escola nem sempre positivos tais como o Bulling, que levam ao sofrimento psicológico por meio de constrangimentos onde o aluno é humilhado por apelidos, intimidações e piadinhas, o cyber bulling em que a vítima vira chacota e é ridicularizada em plena rede virtual, podendo até cometer suicídio, trotes universitários que acabam em homicídios cruéis, discriminação étnico-racial, de gênero, de religião são alguns exemplos de violência que ocorrem no interior da escola.
Gomes e Pereira(2009) em seu artigo “A formação do professor em face das violências das/nas escolas” discute a violência escolar, tanto a violência física como a simbólica sofrida por alunos/professores e coloca como ponto chave para superação desse problema “criar uma cultura de paz nas escolas” enfatizando a preparação inicial e continuada dos professores como a ponta desse iceberg e um caminho para sanar essa dificuldade.
Para os autores citados o professor sendo uma autoridade na sala de aula deve estar capacitado para agir perante violências. Os autores, porém colocam que muitas vezes esses professores estão despreparados quer pelo tempo de carreira quer pelas lacunas na sua formação inicial. Ainda de acordo com os autores países como Espanha, Bélgica, Grécia e até na América Latina esses professores são alvos preferencial de programas de formação continuada para superar a violência nas escolas, porém há um distanciamento muito grande entre pesquisa e prática, ou seja, o que oferece a pesquisa sobre violências nas escolas e o que chega aos professores por meio da formação inicial ou continuada.
Parece-nos que, realmente, não deve ser nada fácil lidar com alunos em que a indisciplina e a violência é evidente, estudos de Bonfim (2007) nos esclarecem sobre a relação professor/aluno. Segundo a autora a relação professor-aluno é uma relação caracterizada pela complementaridade que varia de acordo com o contexto social em que a instituição educativa está inserida e com o modelo educativo adotado. Assim se o modelo educativo for pautado por princípios rígidos e tradicionais, o professor é colocado no centro da situação educativa, com autoridade para classificar, julgar, avaliar e sancionar.
Bonfim (2007) citando Bourdieu e Passeron diz que essa autoridade do professor advém do privilégio que lhe é concedido de ser representante da cultura letrada, e essa posição privilegiada é reconhecida pelos próprios alunos. Para a autora, nessa relação complementar, porém desigual o aluno é situado numa hierarquia de subordinação e submissão.
A referida autora baseada em estudos de Gilly (1980) e Postic (2001) relata que o professor constrói as suas representações sobre o aluno baseado num modelo ideal do bom aluno deixando em segundo plano o aluno concreto provido de sentimentos e gostos. Já o aluno dá mais prioridade às qualidades relacionais do professor tais como compreensão, solidariedade e simpatia.
Daí essa forma divergente de perceber a relação pode gerar insatisfações levando, segundo a autora, a categorização de um pelo outro, que pode ter efeitos emocionais intensos. Nesse contexto professor e aluno elaboram representações um do outro que tendem a funcionar como estereótipos qualificadores ou desqualificadores de ambos.
A autora conclui que professor e aluno podem estabelecer uma relação harmoniosa, porém consciente que ambos são diferentes e que exercem uma ação sobre o outro descobrindo o significado de uma relação educativa recíproca por meio do diálogo.
A importância de se ter nas licenciaturas uma maior compreensão da juventude, a forte contribuição das teorias, relacionando-se logicamente com a prática, a formação continuada constante dos professores pode ser uma das formas para que os mesmos coíbam a violência escolar e contribuam assim para a transformação do status quo. Além disso, ninguém negará que políticas públicas voltadas para o fortalecimento da profissão docente é urgente e se faz necessária uma vez que a formação de professores é uma peça-chave na inclusão dos jovens das camadas mais populares da sociedade
REFERENCIAS
BONFIM, Maria Núbia Barbosa. Na contramão do currículo: invertendo-se os caminhos de análise. Universidade de Coimbra. (Doutorado), 2007.
GOMES, Candido Alberto; PEREIRA, Marlene Monteiro A formação do professor em face das violências das/nas escolas. Cad. Pesquisa, Abr 2009, vol.39, no.136, p.201-224.
Educação
Quem dera ser um peixe...
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A UNIVERSIDADE PÚBLICA E O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL
De acordo com Chauí(2003), a universidade é uma instituição social, republicana, pública, laica, democrática, com autonomia e como tal reflete a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade. Dessa forma é natural a presença de opiniões, atitude e projetos contrastantes dentro da própria instituição.
Além disso, a universidade pode relacionar-se com a sociedade e o Estado de maneira também conflituosa dividindo-se em grupos distintos: uns que apóiam e outros que são contrários ao modo de como a sociedade de classes e o Estado reforçam a divisão e a exclusão sociais impedindo que a universidade atinja seus objetivos democráticos.
Convém relatar que a universidade pública e o ensino superior brasileiro têm passado por reformas influenciada pela reforma do Estado que teve no governo Fernando Henrique Cardoso um traço forte da lógica neoliberal, ou seja, aprofundou a expansão do setor privado e a privatização das instituições públicas.
Para Chauí(2003) a reforma do Estado colocou a educação no setor de serviços não exclusivos do Estado, trazendo três conseqüências graves para a educação. São elas: primeiro, a educação deixou e ser concebida como um direito e passou a ser tida como um serviço; segundo, a educação deixou de ser considerada um serviço público e passou a ser considerado um serviço que pode ser privado ou privatizado; terceiro, a universidade passou a ser concebida como uma organização (e não como instituição) regida por idéias de eficácia, sucesso, controle, êxito e avaliada por índices de produtividade.
Ou seja, a organização(ao contrário da instituição) compete com outras similares a ela não se preocupando com a universalidade, mas sim tendo como foco principal a competição com outras com os mesmos objetivos. A universidade passa, segundo a autora a secundarizar, deixar para segundo plano, a formação e a pesquisa para apoiar-se no que ela chama de “fragmentação competitiva”.
Segundo Sguissardi(2006) para a ótica neoliberal a educação superior deve passar por um “choque de competitividade” que segundo esta é uma característica essencial no ensino superior. Para Chauí(2003) isso ocorre porque a universidade foi privatizada e suas pesquisas são financiadas por organismos internacionais que segue a lógica do modo de produção capitalista.
Para compreender como o ensino superior no Brasil vem sofrendo essa influencia é necessário retomarmos as reformas nos últimos governos, de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.
A educação superior no governo FHC(1994-2002) de acordo com Sguissardi(2006) revelam alguns dados importantes tais como: a taxa de escolarização liquida, ou seja as matriculas na educação superior de estudantes entre 18 a 24 anos, nesse período, foi considerada a mais baixa da América Latina, apenas 7%. Houve um crescimento da diversidade de instituições. Contava-se em 1994 com 851 instituições de ensino superior(IES) número que quase triplicou em 2004, para 2013 IES, distribuídas entre universidades, centros universitários e faculdades, estas ultimas em número de maior concentração. Também houve nesse período a concentração de IES no setor privado colocando o Brasil no ranking de primeiro colocado, com o maior índice de privatização na America Latina e o 5º maior a nível mundial.
Sguissardi(2006) também demonstra que houve nesse período uma concentração por área de conhecimento, concentrando a área de ciências sociais(administração, direito, contabilidade, negócios) principalmente no setor privado, isso de acordo com o autor se deve aos baixos investimentos exigidos e aos altos retornos financeiros. Em contrapartida as áreas que requerem maior investimento como engenharia e saúde, tende a ser atendida pelo setor público.
Houve também uma concentração regional da pós-graduação, acentuando-se nas regiões sul e sudeste. As estatísticas demonstram que 65% das matriculas do mestrado e 80% do doutorado concentram-se na região sudeste. As instituições estaduais(especialmente as paulistas) concentram 50% de todas as matrículas do doutorado do país.
Quanto ao financiamento das IFES no governo de FHC, esta sofreu uma redução assustadora conforme podemos explicitar nos dados abaixo em 1989 o financiamento correspondia a 0,97% do PIB, em 1994 caiu para 0,91% do PIB e no final do governo(2004) essa taxa correspondia a 0,64%. Somada a isso de acordo com Sguissardi (2006) o ensino superior publico federal teve uma expansão de 37% nas matriculas, e uma redução de 5% do corpo docente, além do congelamento salarial de docente e funcionários técnico-administrativos. Além disso, o modelo de universidade adotado nesse período foi predominantemente o modelo de ensino em detrimento do modelo de pesquisa( modelo europeu).
O sistema de avaliação do ensino superior no governo FHC com o conturbado Provão mostrou que o Exame Nacional de Cursos serviu mais para demonstrar o controle do governo sobre o sistema do que realmente avaliá-lo e regulá-lo.
No governo de Luis Inácio Lula da Silva(2003-2006), de acordo com Sguissardi, a educação superior praticamente segue o mesmo molde do governo anterior, numa clara continuidade de políticas neoliberais exceto pela adoção de um novo sistema nacional de avaliação. O autor destaca algumas leis que marcaram as ações federais nessa área.São elas:
A lei 10.861/2004 que criou os SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) cujo objetivo era superar o Provão porém ainda é muito questionado por não respeitar a autonomia universitária.
A lei 10.973/2004 (Lei de Inovação Tecnológica) que cria facilidades não só para a utilização de recursos(físicos, materiais e humanos) das universidades pelas empresas, mas também da transferência de tecnologias daquelas para estas. A grande critica feita a essa lei é que haveria distorção da verdadeira função pública da universidade e de seus docentes/pesquisadores, subordinando a agenda universitária ao campo empresarial.
A lei 11.079/2004 que prevê parcerias entre Estado e empresas privadas ampliando a utilização de recursos públicos por entidades privadas com ou sem fins lucrativos. E a lei 11.096/2005 que instituiu o PROUNI (Programa Universidade para Todos) que segundo Sguissardi fortalece as instituições privadas comerciais de ensino. Em troca de isenção de impostos pelas IES privadas troca-se por cerca de 10% das vagas na forma de bolsas para alunos egressos de escolas publicas.
Vale destacar a proposta mais recente do governo Lula o Programa de Apoio a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o REUNI. Léda e Mancebo(2009) problematizam o Programa cujo objetivo é ampliar o acesso e a permanência na educação superior.
As autoras citadas tecem algumas criticas ao Projeto como o trinômio ensino, pesquisa e extensão, prevista tanto na LDB como na Constituição Federal. De acordo com as mesmas a palavra “pesquisa” não aparece uma só vez no decreto que institui o REUNI. A autonomia da universidade é outro aspecto também criticado pelas autoras, a reforma universitária, segundo opinião das mesma opera com um novo conceito de autonomia que significa atualmente liberdade apenas para atender objetivos oficiais mediante competição por fundos e outros incentivos econômicos.
Outro ponto destacado pelas autoras é o Bacharelados Interdisciplinares(BI), idéia central do Projeto, com o objetivo de fornecer uma formação universitária geral, antecedendo a formação profissional da graduação e a formação cientifica ou artística da pós graduação. Para as autoras essa idéia de superar o vestibular presente nos BI escamoteia dois aspectos: a proposta adia a exclusão para o 2º ciclo da formação além de estimular a competição entre os alunos do 1º ciclo que necessariamente deverão passar por uma seleção para cursar as diversas áreas da formação profissional.
Dentre as metas do REUNI está a de que no prazo de 5 anos as IFES deverão ampliar as taxas de conclusão nos cursos de graduação, devendo alcançar a media de 90% da titulação. Isso corresponde ao também aumento de quase 100% do número de alunos para professor na graduação, o que levaria na visão de Léda e Mancebo(2009) a precarização do trabalho docente com a sobrecarga de trabalho que poderá advir da multiplicação de estudantes. Para as autoras o REUNI oferece para a camada popular da sociedade “uma pseudo-educação de nível superior” pois sem o suficiente aporte de recursos favoreceria um ensino de qualidade duvidosa.
A expansão das universidades publicas federais e a universalização do ensino superior no Brasil deve contar com o investimento do Estado por meio de recursos orçamentários, evitando-se o financiamento por grupos privados rompendo assim com o modelo proposto pelo Banco Mundial. A autonomia universitária deve ser ampla e irrestrita incluindo a autonomia institucional, intelectual e autonomia de gestão financeira em lugar de deixar-se determinar por agencias financiadoras se tornando assim universidades heterônomas( marca de nossas universidades brasileiras), ou seja, que suas pesquisas obedeçam apenas a interesses do mercado. Além disso revalorizar a docência garantindo salários dignos, formando verdadeiro professores, onde a docência é entendida não como habilitação rápida, mas como formação sólida para que esse professor domine seu campo de conhecimento de sua disciplina.
Veremos se o decreto assinado pelo presidente Lula no ultimo dia 19 de julho concedendo maior autonomia às universidades federais brasileiras quanto a administração de seus recursos trará pontos positivos para que as IFES se desenvolvam e alcancem realmente seus objetivos de universalização e democratização do saber e ocorra uma verdadeira reforma universitária.
Além disso, a universidade pode relacionar-se com a sociedade e o Estado de maneira também conflituosa dividindo-se em grupos distintos: uns que apóiam e outros que são contrários ao modo de como a sociedade de classes e o Estado reforçam a divisão e a exclusão sociais impedindo que a universidade atinja seus objetivos democráticos.
Convém relatar que a universidade pública e o ensino superior brasileiro têm passado por reformas influenciada pela reforma do Estado que teve no governo Fernando Henrique Cardoso um traço forte da lógica neoliberal, ou seja, aprofundou a expansão do setor privado e a privatização das instituições públicas.
Para Chauí(2003) a reforma do Estado colocou a educação no setor de serviços não exclusivos do Estado, trazendo três conseqüências graves para a educação. São elas: primeiro, a educação deixou e ser concebida como um direito e passou a ser tida como um serviço; segundo, a educação deixou de ser considerada um serviço público e passou a ser considerado um serviço que pode ser privado ou privatizado; terceiro, a universidade passou a ser concebida como uma organização (e não como instituição) regida por idéias de eficácia, sucesso, controle, êxito e avaliada por índices de produtividade.
Ou seja, a organização(ao contrário da instituição) compete com outras similares a ela não se preocupando com a universalidade, mas sim tendo como foco principal a competição com outras com os mesmos objetivos. A universidade passa, segundo a autora a secundarizar, deixar para segundo plano, a formação e a pesquisa para apoiar-se no que ela chama de “fragmentação competitiva”.
Segundo Sguissardi(2006) para a ótica neoliberal a educação superior deve passar por um “choque de competitividade” que segundo esta é uma característica essencial no ensino superior. Para Chauí(2003) isso ocorre porque a universidade foi privatizada e suas pesquisas são financiadas por organismos internacionais que segue a lógica do modo de produção capitalista.
Para compreender como o ensino superior no Brasil vem sofrendo essa influencia é necessário retomarmos as reformas nos últimos governos, de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.
A educação superior no governo FHC(1994-2002) de acordo com Sguissardi(2006) revelam alguns dados importantes tais como: a taxa de escolarização liquida, ou seja as matriculas na educação superior de estudantes entre 18 a 24 anos, nesse período, foi considerada a mais baixa da América Latina, apenas 7%. Houve um crescimento da diversidade de instituições. Contava-se em 1994 com 851 instituições de ensino superior(IES) número que quase triplicou em 2004, para 2013 IES, distribuídas entre universidades, centros universitários e faculdades, estas ultimas em número de maior concentração. Também houve nesse período a concentração de IES no setor privado colocando o Brasil no ranking de primeiro colocado, com o maior índice de privatização na America Latina e o 5º maior a nível mundial.
Sguissardi(2006) também demonstra que houve nesse período uma concentração por área de conhecimento, concentrando a área de ciências sociais(administração, direito, contabilidade, negócios) principalmente no setor privado, isso de acordo com o autor se deve aos baixos investimentos exigidos e aos altos retornos financeiros. Em contrapartida as áreas que requerem maior investimento como engenharia e saúde, tende a ser atendida pelo setor público.
Houve também uma concentração regional da pós-graduação, acentuando-se nas regiões sul e sudeste. As estatísticas demonstram que 65% das matriculas do mestrado e 80% do doutorado concentram-se na região sudeste. As instituições estaduais(especialmente as paulistas) concentram 50% de todas as matrículas do doutorado do país.
Quanto ao financiamento das IFES no governo de FHC, esta sofreu uma redução assustadora conforme podemos explicitar nos dados abaixo em 1989 o financiamento correspondia a 0,97% do PIB, em 1994 caiu para 0,91% do PIB e no final do governo(2004) essa taxa correspondia a 0,64%. Somada a isso de acordo com Sguissardi (2006) o ensino superior publico federal teve uma expansão de 37% nas matriculas, e uma redução de 5% do corpo docente, além do congelamento salarial de docente e funcionários técnico-administrativos. Além disso, o modelo de universidade adotado nesse período foi predominantemente o modelo de ensino em detrimento do modelo de pesquisa( modelo europeu).
O sistema de avaliação do ensino superior no governo FHC com o conturbado Provão mostrou que o Exame Nacional de Cursos serviu mais para demonstrar o controle do governo sobre o sistema do que realmente avaliá-lo e regulá-lo.
No governo de Luis Inácio Lula da Silva(2003-2006), de acordo com Sguissardi, a educação superior praticamente segue o mesmo molde do governo anterior, numa clara continuidade de políticas neoliberais exceto pela adoção de um novo sistema nacional de avaliação. O autor destaca algumas leis que marcaram as ações federais nessa área.São elas:
A lei 10.861/2004 que criou os SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) cujo objetivo era superar o Provão porém ainda é muito questionado por não respeitar a autonomia universitária.
A lei 10.973/2004 (Lei de Inovação Tecnológica) que cria facilidades não só para a utilização de recursos(físicos, materiais e humanos) das universidades pelas empresas, mas também da transferência de tecnologias daquelas para estas. A grande critica feita a essa lei é que haveria distorção da verdadeira função pública da universidade e de seus docentes/pesquisadores, subordinando a agenda universitária ao campo empresarial.
A lei 11.079/2004 que prevê parcerias entre Estado e empresas privadas ampliando a utilização de recursos públicos por entidades privadas com ou sem fins lucrativos. E a lei 11.096/2005 que instituiu o PROUNI (Programa Universidade para Todos) que segundo Sguissardi fortalece as instituições privadas comerciais de ensino. Em troca de isenção de impostos pelas IES privadas troca-se por cerca de 10% das vagas na forma de bolsas para alunos egressos de escolas publicas.
Vale destacar a proposta mais recente do governo Lula o Programa de Apoio a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o REUNI. Léda e Mancebo(2009) problematizam o Programa cujo objetivo é ampliar o acesso e a permanência na educação superior.
As autoras citadas tecem algumas criticas ao Projeto como o trinômio ensino, pesquisa e extensão, prevista tanto na LDB como na Constituição Federal. De acordo com as mesmas a palavra “pesquisa” não aparece uma só vez no decreto que institui o REUNI. A autonomia da universidade é outro aspecto também criticado pelas autoras, a reforma universitária, segundo opinião das mesma opera com um novo conceito de autonomia que significa atualmente liberdade apenas para atender objetivos oficiais mediante competição por fundos e outros incentivos econômicos.
Outro ponto destacado pelas autoras é o Bacharelados Interdisciplinares(BI), idéia central do Projeto, com o objetivo de fornecer uma formação universitária geral, antecedendo a formação profissional da graduação e a formação cientifica ou artística da pós graduação. Para as autoras essa idéia de superar o vestibular presente nos BI escamoteia dois aspectos: a proposta adia a exclusão para o 2º ciclo da formação além de estimular a competição entre os alunos do 1º ciclo que necessariamente deverão passar por uma seleção para cursar as diversas áreas da formação profissional.
Dentre as metas do REUNI está a de que no prazo de 5 anos as IFES deverão ampliar as taxas de conclusão nos cursos de graduação, devendo alcançar a media de 90% da titulação. Isso corresponde ao também aumento de quase 100% do número de alunos para professor na graduação, o que levaria na visão de Léda e Mancebo(2009) a precarização do trabalho docente com a sobrecarga de trabalho que poderá advir da multiplicação de estudantes. Para as autoras o REUNI oferece para a camada popular da sociedade “uma pseudo-educação de nível superior” pois sem o suficiente aporte de recursos favoreceria um ensino de qualidade duvidosa.
A expansão das universidades publicas federais e a universalização do ensino superior no Brasil deve contar com o investimento do Estado por meio de recursos orçamentários, evitando-se o financiamento por grupos privados rompendo assim com o modelo proposto pelo Banco Mundial. A autonomia universitária deve ser ampla e irrestrita incluindo a autonomia institucional, intelectual e autonomia de gestão financeira em lugar de deixar-se determinar por agencias financiadoras se tornando assim universidades heterônomas( marca de nossas universidades brasileiras), ou seja, que suas pesquisas obedeçam apenas a interesses do mercado. Além disso revalorizar a docência garantindo salários dignos, formando verdadeiro professores, onde a docência é entendida não como habilitação rápida, mas como formação sólida para que esse professor domine seu campo de conhecimento de sua disciplina.
Veremos se o decreto assinado pelo presidente Lula no ultimo dia 19 de julho concedendo maior autonomia às universidades federais brasileiras quanto a administração de seus recursos trará pontos positivos para que as IFES se desenvolvam e alcancem realmente seus objetivos de universalização e democratização do saber e ocorra uma verdadeira reforma universitária.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: DIVERGÊNCIAS CONCEITUAIS
No final dos anos de 1970, o livro A Psicogênese da Lingua Escrita de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky revolucionava o conhecimento sobre alfabetização que se tinha na época. Segundo as autoras a aquisição das habilidades de ler e escrever depende basicamente da relação que a criança tem desde pequena com a cultura escrita.
O letramento, termo mais recente, surgiu pela primeira vez com Mary Kato em 1986 com a publicação No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.
Logo o termo Alfabetização indica que a criança domina os códigos da escrita e da leitura e Letramento,po sua vez, de acordo com Magda Soares “é não só saber ler e escrever, mas também fazer uso competente e freqüente da leitura e da escrita” (2006, p.36), ou seja, fazer uso da escrita e da leitura em suas práticas sociais para atingir diferentes objetivos.
Segundo Emilia Ferreiro a coexistência entre os dois termos (alfabetização e letramento) não seria possível já que “o processo de alfabetização pode ser desencadeado com o acesso à cultura escrita.” Para a autora isso seria um retrocesso. A esse respeito ela assinala:"Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica." (2003, p.30)
Creio que o termo alfabetização por si só, já engloba um entendimento de domínio da escrita e leitura não sendo necessária a utilização do segundo termo, letramento, para designar a apropriação desses recursos na prática social e cultural. Em minha opinião não se deveria dissociar a alfabetização do letramento, pois a alfabetização de crianças deveria ser tão rica e estimulante que envolveria também o letramento desses indivíduos. Mas como destaca Magda Soares sempre aparecem novas palavras quando novos fenômenos acontecem, como ocorre com o termo “nativos digitais”, termo surgido em 2001 com o educador americano Marc Prensky para designar a geração que cresce imersa na tecnologia. É comum observamos crianças que ainda não são alfabetizadas, ou seja, não tem um domínio sobre a escrita e a leitura, porém têm uma intimidade muito grande com o computador interessando-se por uma infinidade de jogos virtuais como os de associação ou de memória. Além disso, essas crianças fazem parte de sites de relacionamento e criam e-mail e blogs navegando com muita propriedade no mundo virtual. A esse respeito Emilia Ferreiro afirma, que com o aparecimento da internet criou-se um espaço tão inter-textual e variado mais até mesmo que uma biblioteca.O que falta então seria a democratização do uso do computador levando esta ferramenta às camadas mais carentes da população.
As crianças, mesmo as bem pequenas, podem e devem ter um ambiente estimulador na família e caso isso não ocorra, como nas famílias de classes mais pobres, a escola deve fazer esse papel, fornecendo a criança um ambiente rico, com textos de variados gêneros. Ainda Ferreiro destaca que mesmo as crianças analfabetas devem ter contato com diversos tipos de textos. O professor deve estimular a leitura lendo em voz alta para seus alunos e como destaca Ana Teberosky “se nos 200 dias letivos o professor das primeiras séries trabalhar um livro por semana, a classe terá tido contato com 35 ou 40 obras ao final do ano.”(2005,p.26).
No final dos anos de 1970, o livro A Psicogênese da Lingua Escrita de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky revolucionava o conhecimento sobre alfabetização que se tinha na época. Segundo as autoras a aquisição das habilidades de ler e escrever depende basicamente da relação que a criança tem desde pequena com a cultura escrita.
O letramento, termo mais recente, surgiu pela primeira vez com Mary Kato em 1986 com a publicação No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.
Logo o termo Alfabetização indica que a criança domina os códigos da escrita e da leitura e Letramento,po sua vez, de acordo com Magda Soares “é não só saber ler e escrever, mas também fazer uso competente e freqüente da leitura e da escrita” (2006, p.36), ou seja, fazer uso da escrita e da leitura em suas práticas sociais para atingir diferentes objetivos.
Segundo Emilia Ferreiro a coexistência entre os dois termos (alfabetização e letramento) não seria possível já que “o processo de alfabetização pode ser desencadeado com o acesso à cultura escrita.” Para a autora isso seria um retrocesso. A esse respeito ela assinala:"Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica." (2003, p.30)
Creio que o termo alfabetização por si só, já engloba um entendimento de domínio da escrita e leitura não sendo necessária a utilização do segundo termo, letramento, para designar a apropriação desses recursos na prática social e cultural. Em minha opinião não se deveria dissociar a alfabetização do letramento, pois a alfabetização de crianças deveria ser tão rica e estimulante que envolveria também o letramento desses indivíduos. Mas como destaca Magda Soares sempre aparecem novas palavras quando novos fenômenos acontecem, como ocorre com o termo “nativos digitais”, termo surgido em 2001 com o educador americano Marc Prensky para designar a geração que cresce imersa na tecnologia. É comum observamos crianças que ainda não são alfabetizadas, ou seja, não tem um domínio sobre a escrita e a leitura, porém têm uma intimidade muito grande com o computador interessando-se por uma infinidade de jogos virtuais como os de associação ou de memória. Além disso, essas crianças fazem parte de sites de relacionamento e criam e-mail e blogs navegando com muita propriedade no mundo virtual. A esse respeito Emilia Ferreiro afirma, que com o aparecimento da internet criou-se um espaço tão inter-textual e variado mais até mesmo que uma biblioteca.O que falta então seria a democratização do uso do computador levando esta ferramenta às camadas mais carentes da população.
As crianças, mesmo as bem pequenas, podem e devem ter um ambiente estimulador na família e caso isso não ocorra, como nas famílias de classes mais pobres, a escola deve fazer esse papel, fornecendo a criança um ambiente rico, com textos de variados gêneros. Ainda Ferreiro destaca que mesmo as crianças analfabetas devem ter contato com diversos tipos de textos. O professor deve estimular a leitura lendo em voz alta para seus alunos e como destaca Ana Teberosky “se nos 200 dias letivos o professor das primeiras séries trabalhar um livro por semana, a classe terá tido contato com 35 ou 40 obras ao final do ano.”(2005,p.26).
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